Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando
acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de
uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o
queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce
que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela
tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é
quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem
e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando
em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do
mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas,pode ser
abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e
encontrava o presente do Papai Noel.Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas
que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o
amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente
visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da
paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença
sopra no nosso coração.
menina
“Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.”
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu
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quarta-feira, 1 de agosto de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
O tempo
De vento em vento, desmanchou o penteado arrumadinho de várias certezas que eu tinha, e algumas vezes descabelou completamente a minha alma. Mesmo que isso tenha me assustado muito aqui e ali, no somatório de tudo, foi graça, alívio e abertura. A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manhã de saber se reinventar. De se tornar manhã novíssima depois de cada longa noite escura.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Eu não tenho
Muitas respostas e as que
tenho são impermanentes, como os invernos, os dias de céu de cara
amarrada, os lugares de dor, os abismos todos, o bom uso das asas, os
fios desencapados, as medidas e as desmedidas. Tudo passa, o que
queremos e o que não queremos que passe, a tristeza e o alívio coabitam
no espaço desta certeza. Eu não tenho muitas respostas. O que eu tenho é fé.
A lembrança de que as perguntas mudam. Um modo de acreditar que os
tiquinhos de sol possam sorrir o suficiente para desarmar a sisudez
nublada de alguns céus. E uma vontade bonita, toda minha, de crescer.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
ESSA É PRA VOCÊ GEISY
Algumas pessoas se destacam para nós (…) Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é (…) Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor. “
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